31.8.09

 
Minha memória tem funcionado como um ágil editor de imagens de melhores momentos da minha vida. E são muito mais do que às vezes eu julgo ter.

 
Por favor me dê
Todas as coisas que eu quero
As que eu mereço e as que não servem pra mim
São coisas simples
O que preciso é de iniciativa
E de um antídoto antiprocrastinante
(essa palavra tá certa? existe?)
E que o sol apareça
Em todo lugar que meu pé pisar

5.7.09

 
O tanto que eu quero, o tanto que eu tenho, o tanto que eu posso mais. E está tudo tão confuso e estranho que só pode ser esse negócio chamado felicidade que tanto me falam. E eu fiquei cheio de alegria de saber que um grande amigo vai ser pai. E é basicamente só disso que eu me lembro sobre ontem.

29.5.09

 

Igual TV fora do ar

Deitar e ouvir o barulho da chuva lá fora competindo com o ventilador de teto barulhento competindo com meu estômago roncando competindo com a avalanche de pensamentos... Vou comer alguma coisa.

15.5.09

 
Sabe, eu sinto que estou voltando ao eixo. Ao meu eixo. O que é uma pena, porque até aqui 2009 tem sido tão divertido. Então eu só posso agradecer a mim mesmo por ter permanecido por esse tempo desse jeito. Me resta a esperança de em algum minuto eu achar um jeito de continuar desajustado, fora de sincronia, fantasticamente fora de esquadros. Quem sabe não seja só uma impressão enganada?

12.5.09

 
Nunca foi fácil, mas os dias bons tornam os dias ruins mais difíceis ainda.

11.5.09

 
Quero correr pra deitar
Quero dormir pra voar
Quero pensar pra esquecer
Quero ouvir pra dizer
Quero levar pra ficar
Quero saber sem entender
Quero te levitar
Quero cair em você

10.5.09

 

Meio a meio

Era mais do que noite
Era quase dia
Eu vim, mas ela que veio
Meio a meio
Sentiu meu cheiro e eu
Ganhei o seu beijo
E veio
Intenso, completo e cheio
Roubei seu travesseiro
E você dormiu
No meu peito
Era mais do que noite
Era alegria
Em um copo, em um gole
Em um golpe de gênio
Meio a meio
Chegou primeiro
Acabou o receio
Começou o recreio
Eu só conseguia sorrir
Ao dormir
Em seu seio

26.3.09

 

O que foi isso?

Isso foi uma série. Para cada dia um poeminha, canção, ou o que seja, a gostosa ilusão transcrita. Mas não nesses dias, em outros. E faltou um, escancarado demais. Mas é assim mesmo. Sou assim mesmo, o tempo inteiro exposto diante de uma multidão que vê exatamente como funciona meu corpo. E faz tempo que eu parei de evitar que vejam a engrenagem trabalhando. Quem quer, vê.

25.3.09

 

Abra-se

Talvez eu quis demais
Talvez fosse pra ser
Mas foi quase, foi
Pode ser mais
Você sabe
Que nós encaixamos
E nossas histórias
Estavam ensaiando o agora
Permita-se
Permita-se, abra-se
Para ser minha de vez

24.3.09

 

Espera

Espero notícias suas
Inquieto, ansioso
Um "me deixe" já seria bom
Do que especular o silêncio
Mas um "vem", igual aquele
Eu largo tudo e vou
Com cara de bobo, que sou
Mas com cara de seu

23.3.09

 

Frágil

Estou aqui
Fragilizado
Sem seus braços
E sem meus braços em volta de ti
Sem poder
Abrir meus olhos
E poder ter
Como primeira visão a mais bela versão de você

22.3.09

 

Doce

Não dá pra saber que gosto vai ter
Mas eu já achava antes mesmo de
E que surpresa, era muito mais
Doce o que havia em você
Se não era pra ter, eu tive
A chance de saber como é que vive
Aqueles que encontraram a paz
Por um segundo eu soube, com você

21.3.09

 

asa aerea

Amanhecer em você
Acordar sem sofrer
Sussurrar o prazer
Assoprar sem dizer
Abraçar e entender
Engolir pra viver
Encontrar um querer
Repousar sem perder
Amanhecer sem sofrer
Acordar sem dizer
Sussurrar pra viver
Assoprar sem perder
Abraçar um querer
Engolir o prazer
Encontrar e entender
Repousar em você

20.3.09

 

Pois é

O problema não foi você ter me usado, baby, o problema foi você ter me descartado.






(Podia ser no plural. Podia desenvolver isso. No fim das contas só o coração apertado, mas batendo. No fim das contas fiz o que mais gosto de fazer. A vida ainda é boa. Esse samba é pra você que me fez sorrir, que me fez chorar. Isso também podia ser no plural)

16.3.09

 

Uma manchete imaginária

Relações franco-argentinas geram conflitos emocionais de escala global.

7.3.09

 

Gravidade

Na avenida
Ou na estação espacial
Os corações ainda batem
Não importa a gravidade
Ou a pressa em passar
Antes de abrir o sinal

 

Branca

Faz uma vida, uma manhã
Um recuerdo
Branca
O que tive, o que foi meu
Deu adeus sem querer ir
Eu que fiz deixar
Branca, branca

 

Por aí

Falou as últimas palavras
Sussurradas
Apagadas pelo vento
Mas eu entendi
Era o seu adeus
Não vou mais encontrar
Você por aí
Olhar perdido
Que não te encontra mais
Na frente da loja
A foto mental
Apagada pelo tempo
Você por aí
Era o seu adeus
Mas eu entendi
Você por aí

 

Ar

Suspiros
Jogados nas ruas, saudades suas
Sumiço
Apertando tão forte
Quis espaço pra respirar
E agora me falta o ar
Sigo suas sombras
Suas pegadas
Sua trilha
Quando vou te encontrar?
Quis espaço pra respirar
E agora me falta o ar

 

Go To Sleep

Eu não consigo dormir. Minha testa está úmida, eu preciso de um banho e de dormir.

 

Há algo de você ainda em mim

Como uma música distante.





Herbert Vianna, seu filho da puta.

31.12.08

 

2008

Há exatamente um ano atrás.
Eu estava tão feliz.
Hoje também estou. É diferente, mas estou. E fui muito feliz no longo caminho entre esse ano atrás e hoje. Muito, muito. E vou carregar cada um desses dias e momentos comigo por muito tempo.

É mais ou menos como diz o Herbert:

Há dias de prazer e dias ruins
Já não sou mais quem era antes
Há algo de você ainda em mim
Como uma música distante


Quantas canções vieram antes
Quantas há por vir
Quantos amores errantes
Por onde eu me perdi

E a noite cai
E o tempo vai
E a vida traz você aqui

6.12.08

 

Pois então...

Passaram-se anos. As pessoas foram mudando. De profissão, de cidade, de objetivos, de ideais, até. Nesse tempo já passei por muitas coisas também, coisas que eu jamais imaginaria passar, boas e ruins. Mas, olhando para trás, todas interessantes, de uma forma ou de outra. Nos últimos tempos a música tem me envolvido como um casamento. Brigo com a música, faço sacrifícios pela música, me apaixono, sonho, me derreto, como se a música fosse uma mulher envolvente. E é. Minha mudança é que comecei a tentar escrever sobre isso. De interessante foi ter gerado um convívio bem superficial com alguns ídolos do underground, outras amizades, diversas e improváveis e uma nota publicada num suplemento dominical de um jornal falando do blog onde escrevo sobre os shows que (quase) ninguém vai.

30.11.08

 

Onde está?

Isso foi há uns meses atrás. Sabe quando você olha algo, um doce, uma roupa, um cd e deseja aquilo profundamente? Bom, eu não sei, mas senti isso numa segunda. Com um corpo. No meio da rua, fiz algo que não faço nunca. Parei e perguntei-lhe o nome: Terê. Hã? Terê. Hã? Teresa. Ah. 20 anos. Baixinha bonita. Indo para o estágio. Diz ter começado um namoro há uma semana. Verdade ou não, decepção, mas assim é a vida. Dois dias depois alguém lia um livro no metrô. Nome: Onde Está Teresa? E eu pensando: é mesmo, onde está?

Uma música de mesmo nome estava no meu tocador de mp3. Essas coisas são só coincidências, né? Mas sei lá...

14.11.08

 

Incontrolável

Mais uma vez com a balança nas mãos, achando graça de saber que novamente vou deixar o desequilíbrio jogar os pratos para o alto. Um cai na cabeça, o outro no coração. O símbolo da justiça estampado numa lata de lixo me faz sentir algo estranho. Identificação, talvez.

Alguém pode me dizer quais são as regras mesmo?

28.10.08

 

Pergunta

feito o efeito
desfeito o defeito
com o ar rarefeito no peito
sem jeito me deito no leito
aceito o que me é de direito
porque nem tudo é perfeito
a não ser quando é só um conceito
o que falta no mundo é respeito
será que ainda tem conserto?
eu deixo essa pergunta no seu pensamento

10.10.08

 

Foice

Veja você, onde é que o barco foi desembestar: num terminal rodoviário, em pistas de pouso, embarque e desembarque, acesso à última saída, ao primeiro encontro, tanques de combustível rolando pela lateral, táxis "sigam aquele carro", longos caminhos ao longo do curso do rio que desemboca no mar. Oba!

E o que se conclui das minhas palavras bêbadas? Quais são os riscos de verde das folhas em alta velocidade que eu gosto mais?

Cabe a você descobrir. Mas eu explico.

15.9.08

 

Norma

Quem consegue medir o tamanho da própria liberdade e da própria prisão? Considere, para efeitos de medição, que não somos completamente livres. Despreze em alguns casos o peso da palavra "prisão" e o efeito negativo que ela passa. Não deixe de contar a liberdade que te prende e a prisão que te liberta; por via das dúvidas, acrescente-os para ambos os lados.
Escolha com cuidado para qual lado quer juntar a bondade, o egoísmo, o medo e a cautela. Não tenha dúvidas para que lado vai colocar a verdade.

E boa sorte.

7.9.08

 

Canção sem refrão

Lance seu corpo no mar
Estou espalhado com seu sopro
Se a festa é pra se lamentar
É na fresta que está o que sofro

Anda logo, jogue essa peça
Pra que está a divagar tanto
É devagar que a gente fecha
E joga o tabuleiro num canto

E aprenda, você nunca vai ganhar
E aprenda, você nunca vai ganhar
E aprenda, você nunca vai ganhar
E aprenda, você nunca vai ganhar

Com seu polegar em minha fronte
A delegar o ninar que me embala
Se já cansou então desmonte
Que a nossa máquina se cala

E entenda que não vai ter como religar
E entenda que não vai ter como religar
E entenda que não vai ter como religar
E entenda que não vai ter como religar

Lance seu corpo no mar
Estou estirado no seu porto
Se a estréia é pra se adiar
É na idéia de arrancar meu riso torto!

E vê se tenta, mas só tem as unhas pra escavar
E vê se tenta, mas só tem as unhas pra escavar
E vê se tenta, mas só tem as unhas pra escavar
E vê se tenta
E vê se não esquenta, não há porquê se preocupar. ;)

30.8.08

 

Salto

Em frente a uma porta que não quer abrir
Fazendo um jardim com a grama que sai
Dos paralelepípedos
Espantando o frio com a lembrança
Da bola descendo a ladeira e a videira
Com seus cachos íntegros
A chuva aí e eu sem nada pra me proteger
A chuva aí e eu sem nada pra me proteger
Um guaraná em oferenda perto do Aterro

22.8.08

 

Esquema Lost

Se algum desavisado entrar aqui, não repare: este blog está com textos em flashback e flashforward. Estou falando de coisas de 18 anos atrás, de ontem, de coisas do futuro. Que cada palavra ganhe um novo significado a cada nova leitura.

20.8.08

 

Onde alma encontra corpo

Se é isso que sou
Se é isso que minha carteira de identidade diz
Se é esse o meu sangue
E se ele não serve para te salvar
Que salve alguém mais digno dele

Se é essa minha cama
Na qual você nunca vai deitar
Se os meus sapatos não são
Os que você vai calçar
Se você vai deixar de realçar
O meu sorriso, a semana
Vai perder dimensão
E o caminho vai estreitar

Se é a essa velocidade que vou
Para lugar nenhum

Se para lugar nenhum
A notícia ainda não chegou

Então de que adianta lamentar?
Se dizer isso pudesse fazer parar
Faça parar, faça parar
Faça parar, faça parar

Oh, como pude deixar?
Faça parar, faça parar
Se essa passagem fosse pra voltar
Eu a rasgaria e cedia o lugar

14.8.08

 

There She Goes

Finalmente me apaixonei por Velvet Underground. Já amava a Nico, graças aos Tenenbaums. Parece ser sem volta.

11.8.08

 

2008

ô aninho interessante. Bom, ruim (muito mais o bom que o ruim), mas o principal: intenso.

8.8.08

 

Alcance

Enquanto encosto a cabeça em improviso e tento te alcançar. Captar algo através de sua nuca, da proximidade dos seus fios. Ali não somos um, somos duas pessoas sofrendo de malegria. Hoje só ouço estridentes vozes agudas e desagradáveis, então me refugio em pele, cores, tecidos e sentidos. Toques. O balburdioso reino da malegria esteve ali, mas declinei. E mesmo em queda-livre guardei teu cheiro um pouquinho mais.

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